Reforma Tributária: Campinas debate impactos da transição do ISS para o IBS
1ª REUNIÃO
SUBTEMA 1: Impacto da Reforma Tributária no Município
Data: 6 de maio de 2025
A Câmara Municipal de Campinas realizou a primeira reunião da Comissão Especial de Estudos sobre a Reforma Tributária no dia 6 de maio de 2025. O subtema de abertura foi o impacto das mudanças no município, e o tom geral foi de alerta: se nada for feito, a cidade pode perder até R$ 8 milhões por ano em arrecadação, segundo simulações apresentadas durante o encontro.
A reunião, realizada no Plenário José Maria Matosinho, integrou um ciclo de dez debates temáticos sobre a transição do ISSQN para o IBS, o novo tributo que reorganiza a cobrança de impostos no país.
Autonomia municipal em risco
O presidente da Comissão, vereador Luis Yabiku, abriu os trabalhos destacando a necessidade de um debate técnico qualificado para preservar a arrecadação municipal e preparar Campinas para o novo cenário fiscal. Na sequência, uma série de especialistas e representantes de entidades passou pelo microfone — e quase todos levantaram a mesma preocupação: a perda de protagonismo dos municípios.
A procuradora-chefe da Procuradoria Fiscal do Município, Rebecca Farinella Tognella, lembrou que o Brasil se junta a modelos tributários complexos, como os do Canadá e da Índia, ao adotar um sistema dual com competências divididas entre União, estados e municípios. Para ela, as Câmaras Municipais têm papel central no monitoramento da reforma e na defesa da autonomia local.
O procurador-geral do Município, Roberto Martins Granja, foi além: criticou o processo de formação do Comitê Gestor do IBS e advertiu que, se a reforma for malconduzida, pode comprometer a autonomia municipal.
Comitê Gestor sem definição e transição de 50 anos
O diretor de Comunicação da AFRESP, Victor Lins, criticou a omissão do Estado de São Paulo em indicar seus representantes no Comitê Gestor do IBS e alertou que a transição prolongada pode gerar instabilidade e "efeitos rebote" no legislativo.
O diretor do SINAFRESP, Glauco Honório, considerou excessivo o período de transição de 50 anos previsto na reforma. Segundo ele, um prazo tão longo pode “engessar” o planejamento financeiro dos municípios — e cidades grandes como Campinas podem acabar prejudicadas em nome da redistribuição de receitas.
Setor contábil pede diálogo
Do lado das empresas, a presidente do SESCON Campinas, Cláudia Di Fonzo, apontou o aumento da carga tributária sobre serviços e o desafio de conviver, por anos, com legislações antigas e novas ao mesmo tempo — sem clareza sobre quais obrigações acessórias permanecem. Ela pediu mais diálogo entre poder público e profissionais da contabilidade.
O economista e contador José Homero Adabo, também do SESCON, fez um paralelo com o Plano Real e alertou: sem cuidado, a promessa de simplificação do sistema tributário pode não se concretizar.
Nem tudo são problemas
Apesar do tom crítico, os debatedores também apontaram caminhos. A tributação no destino — regra central da reforma — pode beneficiar municípios com forte mercado consumidor, como é o caso de Campinas. A modernização dos sistemas de gestão fiscal, a cooperação entre administrações tributárias municipal e estadual e a qualificação dos servidores também foram citadas como oportunidades.
O vice-presidente da FENAFIM, Fábio Henrique de Sousa Macêdo, propôs justamente essa integração entre as administrações municipal e estadual como estratégia para recuperar parte das receitas que a cidade pode perder.
No fim, o recado ficou claro: Campinas quer — e precisa — ser protagonista no debate nacional sobre a reforma tributária.
Assista a reunião na íntegra no canal da TV Câmara no Youtube

Documentos Oficiais
Acesse a documentação técnica completa produzida pela Comissão Especial de Estudos, incluindo pareceres consolidados, transcrições de reuniões e os relatórios de impacto fiscal para Campinas.
Requerimento de Abertura da CEE
Apresentação de abertura da CEE
Ata Oficial da Primeira Reunião
Requer a criação da Comissão Especial de Estudos destinada a avaliar e debater a Reforma Tributária, seus impactos na receita municipal e na estrutura da Secretaria de Finanças.
CApresentação de slides sobre os objetivos das reuniões e eventos promovidos pela Comissão de Estudos sobre os Impactos da Reforma Tributária nas finanças do município de Campinas
PDocumento oficial da Câmara Municipal de Campinas sobre a primeira reunião da Comissão Especial de Estudos sobre a Reforma Tributária












